Da raíz do cabelo à raiz dos problemas
- Areia

- 3 de fev.
- 2 min de leitura
Ignorância ou maldade? O racismo estrutural é o pano de fundo no primeiro livro de Mônica Silva

A cabeleireira Mônica Silva partiu de experiências próprias e outras vividas no dia a dia de seu trabalho para escrever seu primeiro livro “Kizzy, que cabelo é esse, hein!" (Areia, 2025), o livro contou com a coescrita de Jura Arruda e muita pesquisa sobre desenvolvimento humano e ancestralidade. Mas a história partiu, principalmente, de uma frase que, esmiuçada, abriu a perspectiva de um conflito tão simbólico quanto real: “Seu cabelo tem que estar preso"!
Não demorou para a relação entre prender o cabelo e a condição marginalizada do negro a partir do fim da escravidão e no decorrer dos anos fosse feita. A personagem Kizzy, uma menina negra sofre ataques verbais na escola por causa de seus cabelos crespos e volumosos, até que uma professora ordena que ela mantenha o cabelo preso, para não atrapalhar. Uma situação comum na escolas de todo o país, que pede soluções mais adequadas do que manter o cabelo amarrado o tempo todo e, assim, ter orgulho e auto estima presos também.
O livro apresenta a mãe de Kizzy, além de tias e a avó, personagens que vão trazer o histórico de repressão a partir do “cuidado” com o cabelo e informações sobre o risco de usar produtos químicos durante a infância. Uma personagem que surge em meio ao drama da menina é a advogada do cabelo, que aparece como uma heroína, trazendo conhecimento e representatividade.
O caso vai a um tribunal, onde a sociedade espera que o cabelo de Kizzy seja preso e uma advogada vai defender a liberdade, numa alegoria à condição do negro na sociedade, marginalizado e subjugado.
“Kizzy, que cabelo é esse, hein!” é um alerta, mas é também literatura, com um enredo cheio de alternativas que leva o leitor a querer virar a próxima página e acompanhar este julgamento, que é visto também quando se levanta os olhos das páginas e se olha pela janela.





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